Quincas Berro D’Água (2010), dirigido e dirigido por Sérgio Machado



O roteiro é baseado em uma das melhores obras da maturidade de Jorge Amado. A ação acontece na capital baiana, Salvador. Uma multidão de amigos – vagabundos, mulheres de virtudes fáceis, mocassins e bêbados – espera seu líder em antecipação ao próximo feriado. Mas, pela vontade do destino, o ex-funcionário público morre sozinho em sua cama devido ao abuso de álcool.

Representantes de boêmios que resistem ao domínio da burguesia não entendem que a alma de sua empresa – os Quincas – pode morrer e deixá-los entregues à própria sorte. Incapaz de aceitar a perda de seu rei, em vez de um funeral triste, amigos o levam para o meio de uma diversão ao vivo, bêbado, como se ele ainda estivesse vivo. Como resultado de aventuras noturnas, o herói encontra sua verdadeira morte no mar.

“Sérgio Machado é um cineasta interessado no aspecto plástico e musical de suas obras, sem descuidar da direção de atores.
[…]
Em ‘Quincas Berro d’Água’, Machado é bem-sucedido em retratar o ambiente, as cores e os sabores de sua Salvador natal, especialmente aquela dos personagens à margem da sociedade, sem incorporar o humor fantástico da narrativa de Jorge Amado. Inácio Araújo (1948), na Folha de S.Paulo, elogia o elenco, mas lamenta as sequências finais, que criam uma Salvador hollywoodiana, ‘demonstração, bem sintética, do tipo de desnaturamento a que o cinema brasileiro se sujeita quando, empenhado em impressionar, deixa para trás o que tinha a dizer’. Já Luiz Carlos Zanin, no Estadão, elogia a produção dessa “ópera bufa popular”, avaliando que o filme ‘consegue se equilibrar na exigência de um cinema de qualidade brasileiro sem por isso cair no ranço academicista que mata muitas produções contemporâneas’”.

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