É possível esquecer o ex sem desaparecer?
Quando desejamos apagar alguém das nossas lembranças, talvez não estejamos tentando eliminar somente a presença daquela pessoa. Queremos também apagar a dor, a falta e tudo aquilo que investimos para que aquela relação pudesse existir.
Só que nós também estávamos lá. Desejamos, construímos expectativas, produzimos afetos e nos transformamos enquanto éramos reconhecidos pelo outro. Jessica Benjamin ajuda a compreender esse movimento intersubjetivo: parte daquilo que somos também se constitui no encontro, no reconhecimento e na experiência de reconhecer alguém.
Por isso, esquecer completamente uma pessoa exigiria apagar também uma parte daquilo que vivemos e nos tornamos. O manejo clínico não precisa ajudar o paciente a eliminar essa memória, mas acompanhá-lo na difícil tarefa de reconhecer que nem tudo naquela relação pertencia ao outro. Havia algo dele ali. E esse investimento ainda pode encontrar outros destinos.
Este vídeo nasceu de um corte produzido pelo Bruno Beraldo. Recomendo que você conheça e siga o trabalho dele. A associação que ele fez com “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” abriu um campo muito interessante para esta reflexão.
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Referências:
BENJAMIN, Jessica. The Bonds of Love: Psychoanalysis, Feminism, and the Problem of Domination. Nova York: Pantheon Books, 1988.
LAPLANCHE, Jean. Vida e morte em psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
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