Ponha a bomba mais potente que existir na boca de um poço fundo: a água sobe pelo cano e para a 10,33 m. Não é defeito da bomba.
Bomba de sucção não puxa água. Ela tira o ar de dentro do cano, e quem empurra a água para cima é o ar de fora, apertando a superfície do poço. Só que o ar tem um limite: a pressão de uma atmosfera (101.325 Pa) equilibra uma coluna de água de
h = p / (ρ·g) = 101.325 / (1.000 × 9,81) = 10,33 m.
Acima disso, mesmo com vácuo perfeito no cano, a água não sobe mais. Esse é o teto, ao nível do mar; bomba de verdade fica abaixo dele, porque a água começa a virar vapor antes do vácuo perfeito e o cano tem perdas.
Por isso, em poço fundo, a bomba fica lá embaixo, mergulhada: ali ela não suga, empurra — e empurrando não existe esse limite.
A história é antiga: por volta de 1640, Gasparo Berti encheu de água um tubo de mais de dez metros e viu a coluna parar perto de 10,3 m. Em 1643, Torricelli repetiu com mercúrio, bem mais denso, e a coluna parou em 76 cm: nascia o barômetro.
Fonte: conta de livro-texto (lei de Stevin) com a atmosfera padrão, a água a 1.000 kg/m³ e g = 9,81 m/s².
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